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Do convencional aos agentes: como agentes de IA estão redesenhando projetos de dados

Os principais pontos da palestra de Leandro Krukoski, Diretor de Operações da Onetopia, no DSSBR 2026 (29/10, 14h30, Plenária): o que muda nos times, na arquitetura e na governança com agentes de IA.

Agentes de IA6 min de leitura

Agentes de IA estão mudando a forma de construir projetos de dados: o time fica menor e mais sênior, a arquitetura passa a depender do porte do projeto e a governança vem antes da escala. Essa é a tese da palestra Do convencional aos agentes, de Leandro Krukoski, Diretor de Operações da Onetopia, no Data Science Summit Brasil 2026 (DSSBR), o congresso brasileiro de inteligência artificial, big data e computação quântica, que acontece de 27 a 29 de outubro de 2026 no Instituto de Engenharia do Paraná (IEP), em Curitiba. A palestra está na grade oficial na quinta-feira, 29 de outubro, das 14h30 às 15h, na Plenária.

Abaixo, os principais pontos da palestra.

Se a IA já cria o banco de dados, o que muda?

A palestra abre com um dado: segundo o Supabase, no anúncio da sua Série F (junho de 2026), mais de 60% dos novos bancos de dados da plataforma já nascem criados por ferramentas de IA, e não por pessoas. O mesmo movimento aparece em Firebase, Neon, Appwrite e outras plataformas. A pergunta que fica para quem constrói projetos de dados é direta: o que muda no nosso trabalho?

Mais uma onda, só que mais rápida

O mercado de dados já atravessou várias ondas: on-premise e ERP, cloud, big data e lakehouse e, mais recentemente, IA generativa. Cada uma redesenhou times e arquiteturas. A onda dos agentes tem uma diferença: ela automatiza a própria construção dos projetos, e chega mais rápido que as anteriores.

O modelo que nos trouxe até aqui

O modelo clássico, que a Onetopia usa e domina, combina squads ágeis em hub & spoke (um centro de excelência com times nas áreas), arquitetura medalhão (Bronze, Prata e Ouro) e entregas em DAR (Dashboard, Analytics e Report), sobre Databricks, Google Cloud e BigQuery, AWS e Microsoft Azure.

Ele continua sendo a fundação de grandes empresas. Mas foi feito para um mundo em que construir era caro, e cobra seu preço: projetos longos, fila no time central e custo alto para projetos pequenos.

Três rupturas em 18 meses

  • O backend virou commodity: o Supabase, um exemplo entre várias plataformas, cresceu mais de 600% em bancos criados por ano (Supabase, junho de 2026).
  • O dashboard virou app: empresas usam agentes para construir apps internos no lugar de dashboards genéricos; 35% já trocaram ao menos um SaaS por software próprio (Retool, Build vs. Buy 2026, 817 respondentes).
  • O dado virou conversa: o Gartner prevê que, até 2028, 60% dos usuários de analytics self-service usarão LLMs de uso geral para explorar dados (Predicts 2026).

Dois mundos que estão se encontrando

De um lado, as plataformas convencionais de arquitetura e transformação de dados: Databricks, Google BigQuery, AWS e Microsoft Azure. Do outro, as plataformas de agentes: Claude, Google AI Studio e Gemini, ChatGPT e Codex, Microsoft Copilot Studio e AWS Bedrock. No meio, as plataformas convencionais já trazem agentes nativos, como Databricks Genie e Snowflake Cortex.

A mensagem da palestra: não é escolher um lado. A fronteira está sumindo, e o valor está em combinar os dois mundos.

De equipes gigantes a times enxutos

Antes, um projeto de dados grande pedia dezenas de pessoas entre engenharia, BI, QA e documentação. Hoje, agentes constroem boa parte do código, dos testes e da documentação, e o time fica menor, mais sênior e focado em arquitetura, regras de negócio e governança. O Gartner estima que 60% das tarefas repetitivas de gestão de dados serão automatizadas até 2027.

O tamanho do time deixou de ser a medida da capacidade de entrega.

Agnósticos por princípio

A Onetopia não vende ferramenta nem agente. Avalia continuamente as opções do mercado e usa o agente e a plataforma com o melhor custo-benefício para cada cliente e cada projeto, sem lock-in. Quando surge algo melhor, troca.

Cada porte, uma arquitetura

Porte Arquitetura O que se ganha
Pequenas, médias e unicórnios Stack enxuto (ex.: Supabase) com agentes no centro Custo menor e entregas mais rápidas
Projetos de área no enterprise Stack enxuto conectado à fundação corporativa, com agentes e apps Prova de valor em semanas
Enterprise de grande porte Databricks, BigQuery, AWS ou Azure como fundação governada; agentes acelerando a construção Escala e governança com velocidade

Como usar bem um agente

O agente acelera, mas a responsabilidade continua sendo do time. O fluxo apresentado tem quatro passos:

  1. Contexto: regras do projeto, camada semântica e documentação que o agente lê antes de agir.
  2. Especificação: o que construir e como validar.
  3. O agente constrói: código, testes e documentação.
  4. Um humano revisa: aprova, corrige e publica.

Os guarda-corpos: o agente trabalha em sandbox, nunca direto em produção; tudo é versionado e testado; e cada entrega tem tempo, custo e qualidade medidos.

Como treinar o time

A capacitação segue uma trilha em três níveis, sempre aprendendo em casos reais:

  • Usuário (negócio): pergunta aos dados e valida as respostas.
  • Construtor (analistas): cria análises e apps internos com agentes.
  • Arquiteto (engenharia): cuida da fundação de dados, dos agentes e da governança.

O apoio vem de champions por área e de uma biblioteca compartilhada de prompts e skills. A urgência aparece nos números da PwC (2026, 49 mil profissionais): 22% já usam IA generativa todo dia, mas só 51% dizem ter o treinamento de que precisam, contra 59% no ano anterior. A adoção anda mais rápido que a capacitação.

Governança antes da escala

O Gartner prevê que mais de 40% dos projetos de IA agêntica serão cancelados até o fim de 2027, por custo crescente, valor de negócio incerto e controles de risco insuficientes. Para colocar agentes em produção com confiança, a palestra propõe cinco pilares sobre uma fundação de dados governada:

  • Política de uso: o que pode e o que não pode, LGPD e dados sensíveis.
  • Acesso: menor privilégio, com identidade e permissões próprias para cada agente.
  • Auditoria: logs, versionamento e revisão humana em decisões críticas.
  • Custo: limites e acompanhamento de consumo de tokens.
  • Qualidade: camada semântica e testes, para o agente responder com a métrica oficial.

Caso real: Tecnofit, do convencional aos agentes

A Tecnofit, ERP de gestão para academias, boxes e estúdios de Curitiba, com cerca de 10 mil clientes, está migrando sua plataforma de dados. Antes, os dados passavam por várias camadas de ingestão até o BigQuery e o BI. Na nova arquitetura, o Supabase é a base de dados e o Claude cuida da transformação e de uma plataforma própria de visualização.

Com IA aplicada, a Onetopia entregou um modelo de LTV e churn e uma análise de mercado para apoiar a estratégia. Conheça também o case da plataforma de dados da Tecnofit.

Por onde começar

Segundo o estudo Desbloqueando o Potencial da IA no Brasil (AWS e Strand Partners, 2026), 50% das empresas brasileiras já usam IA, mas só 15% estão em estágio avançado. O roteiro proposto tem quatro passos:

  1. Diagnóstico: onde os agentes geram valor.
  2. Piloto: um caso real, com métrica.
  3. Treino e governança: time e regras prontos.
  4. Escala: do piloto para a operação.

A pergunta que encerra a palestra vale para qualquer liderança de dados: seu time está dimensionado para o mundo antes ou depois dos agentes?

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Como citar este conteúdo

Leandro Krukoski (Onetopia). "Do convencional aos agentes: como agentes de IA estão redesenhando projetos de dados". Playbook Onetopia, 23 de outubro de 2026. Disponível em: https://onetopia.com.br/insight/do-convencional-aos-agentes-dssbr-2026/

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